Diretrizes de monitoramento de sedação e anestesia para pequenos animais do American College of Veterinary Anesthesia and Analgesia (ACVAA) 2025.
- jiulisalles

- 28 de jul. de 2025
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Atualizado: 29 de jul. de 2025
Este documento foi elaborado pelo American College of Veterinary Anesthesia and Analgesia (ACVAA) em colaboração com a North American Veterinary Anesthesia Society e a Academy of Veterinary Technicians in Anesthesia and Analgesia. Seu objetivo principal é estabelecer diretrizes para o monitoramento de pequenos animais durante a sedação e o período perianestésico.
As diretrizes são, sempre que possível, baseadas em estudos científicos, mas também incorporam um consenso de especialistas e experiência clínica. É importante notar que o documento enfatiza que não deve ser interpretado como um padrão de cuidado, pois as técnicas de monitoramento podem variar dependendo da prática e do espectro de cuidado. Métodos alternativos são sugeridos caso as técnicas mínimas recomendadas não estejam disponíveis.
O público-alvo dessas diretrizes inclui todos os profissionais envolvidos na administração de anestesia ou sedação em pequenos animais, como técnicos veterinários, assistentes, veterinários em treinamento, veterinários de atenção primária e especialistas, e administradores.
Principais de recomendações:
Recomendações Mínimas: São aplicáveis a todos os pequenos animais anestesiados. Se uma modalidade de monitoramento mínima não puder ser utilizada, a razão deve ser documentada no prontuário médico (tabela 1).
Alternativas: Devem ser usadas apenas quando as opções mínimas recomendadas não estão disponíveis, e seu uso também precisa ser documentado.
Recomendações Avançadas: São opções a serem consideradas para pacientes veterinários com doenças coexistentes e/ou pacientes instáveis (tabela 1).

Monitoramento da Profundidade da Anestesia
O objetivo aqui é garantir uma profundidade anestésica adequada para prevenir a consciência e o movimento do paciente, minimizando os efeitos colaterais cardiorrespiratórios e fisiológicos dos agentes anestésicos.
Recomendações Mínimas:
Um anestesista dedicado deve observar repetidamente o animal para avaliar a posição dos olhos, o tônus muscular (incluindo o tônus da mandíbula) e os reflexos, como o reflexo palpebral ou reflexos periféricos de retirada.
Devem-se antecipar e monitorar os sinais de respostas simpáticas a estímulos nocivos, como aumentos na frequência cardíaca, frequência respiratória e pressão arterial.
Importante: Com agentes voláteis, os olhos geralmente giram ventromedialmente, e o tônus muscular e da mandíbula relaxam, com o reflexo palpebral lento ou ausente. No entanto, protocolos injetáveis, especialmente os baseados em dissociativos, podem não exibir esses sinais progressivos.
Recomendações Avançadas:
Monitoramento das concentrações de inalantes inspirados e expirados, quando a tecnologia estiver disponível.
Uso de monitores baseados em eletroencefalograma (EEG), como o índice bispectral (BIS) ou o índice de estado do paciente.
Monitoramento da Circulação
O objetivo é confirmar a perfusão tecidual adequada, garantindo a entrega de oxigênio e nutrientes e a remoção de resíduos metabólicos.
Recomendações Mínimas:
Um anestesista dedicado deve observar continuamente o paciente, complementando as leituras de monitores eletrônicos com avaliações clínicas subjetivas intermitentes (palpação manual do pulso, ausculta cardíaca, avaliação do tempo de preenchimento capilar).
Monitoramento da pressão arterial (PA) oscilométrica a cada 5 minutos, no mínimo. Uma pressão arterial média < 60-65 mmHg deve levar à avaliação e intervenção.
Monitoramento contínuo do eletrocardiograma (ECG) para detectar alterações na frequência cardíaca, ritmo ou anormalidades de condução.
Capnografia baseada no tempo, que reflete a perfusão pulmonar quando a ventilação é constante.
Alternativas:
Se o dispositivo de PA oscilométrico não estiver disponível ou for não confiável, pode-se usar um Doppler vascular e um esfigmomanômetro com manguito. Leituras de Doppler de 90 mmHg ou menos devem levar à avaliação e intervenção.
Recomendações Avançadas:
Medição invasiva da PA via cateterismo arterial para pacientes críticos ou procedimentos complexos.
Índices dinâmicos de variáveis hemodinâmicas, como o índice de variabilidade pletismográfica (PVI), variação da pressão sistólica (SPV) ou variação da pressão de pulso (PPV), para informações sobre a resposta a fluidos.
Outras formas de monitoramento da resposta a fluidos, como ecocardiografia transtorácica ou transesofágica e avaliação ultrassonográfica da distensibilidade da veia cava caudal.
Análise de gases sanguíneos venosos e lactato para avaliar parâmetros de perfusão global.
Monitoramento da Oxigenação
O objetivo é garantir a oxigenação adequada do sangue.
Recomendações Mínimas:
O anestesista deve realizar uma verificação de rotina do equipamento anestésico usando uma lista de verificação padronizada e avaliar regularmente a função da fonte de oxigênio, fluxômetro e circuito respiratório.
Um anestesista dedicado deve avaliar regularmente a cor das membranas mucosas (rosa, cianótica ou pálida) e os esforços ventilatórios.
Oximetria de pulso é recomendada em todos os pequenos animais fortemente sedados ou anestesiados. Um valor de SpO2 abaixo de 95% deve ser investigado, pois é um indicador tardio de problema de oxigenação.
Recomendações Avançadas:
Análise de gases sanguíneos arteriais (ABG) e medição da pressão parcial de oxigênio no sangue arterial (PaO2).
Medição da concentração de oxigênio inspirado (FIO2) para confirmar que oxigênio adequado está sendo entregue.
Co-oximetria (com amostra de sangue arterial) para maior confiabilidade, especialmente na presença de hemoglobinas disfuncionais.
Monitoramento da Ventilação
O objetivo é garantir a ventilação adequada.
Recomendações Mínimas:
Um anestesista dedicado deve monitorar consistentemente o paciente pela observação dos movimentos da parede torácica e/ou bolsa reservatório/fole do ventilador, ausculta de sons respiratórios, e uso de um manômetro para avaliar as pressões máximas das vias aéreas.
Capnografia baseada no tempo (análise de dióxido de carbono (CO2) inspirado e expirado com forma de onda) deve ser utilizada. As concentrações de CO2 inspiratórias devem ser próximas de 0 mmHg. Concentrações de CO2 expiratórias finais (EtCO2) > 60 mmHg devem ser abordadas.
Alternativas:
Um capnômetro pode ser usado se um capnógrafo não estiver disponível (exibe pressão parcial e frequência respiratória, mas não a forma de onda).
Um monitor de apneia (cria ruído audível ou alarme durante apneia prolongada) pode ser usado se capnografia e capnometria não estiverem disponíveis, embora não avalie a adequação da ventilação.
Recomendações Avançadas:
Amostragem de gases sanguíneos arteriais (ou venosos) para medição da pressão parcial de CO2 (PCO2).
Espirometria para informações sobre a complacência pulmonar/parede torácica e volume corrente.
Monitoramento da Temperatura
O objetivo é identificar, prevenir e gerenciar desvios moderados a graves das faixas normais de temperatura.
Recomendações Mínimas:
Uso de um termômetro digital para medir a temperatura retal a cada 15 minutos em pacientes moderada ou fortemente sedados ou anestesiados.
Medição contínua da temperatura corporal via termômetro inserido no esôfago ou reto é desejável.
Se a temperatura corporal diminuir abaixo de 37.8°C/100°F, deve-se iniciar o aquecimento externo ativo seguro. Métodos seguros incluem ar forçado quente, cobertores condutivos com sensor e cobertores de água quente. Deve-se evitar almofadas de aquecimento elétricas, objetos aquecidos no micro-ondas e bolsas de soro aquecidas devido ao risco de queimaduras.
O isolamento passivo com toalhas, cobertores ou campos e a proteção contra mesas devem ser sempre utilizados.
O monitoramento da temperatura corporal deve continuar no período de recuperação para confirmar o retorno e a manutenção da normotermia.
Monitoramento do Bloqueio Neuromuscular
O objetivo é caracterizar a eficácia da transmissão neuromuscular ao usar agentes bloqueadores neuromusculares não despolarizantes (ABNMs), quantificar a profundidade do bloqueio, guiar a readministração ou titulação e garantir a restauração adequada da função neuromuscular antes da emergência da anestesia (tabela 2).
Recomendações Mínimas:
Um estimulador de nervo periférico (ENP) deve ser usado para avaliação subjetiva (visual ou tátil) das respostas musculares (contrações). ABNMs não devem ser administrados sem um ENP.
Recomenda-se sempre administrar reversão farmacológica quando o ENP subjetivo for usado, pois a função normal não pode ser determinada por meios subjetivos.
É obrigatório administrar ABNMs apenas durante a anestesia geral, pois o bloqueio neuromuscular (BNM) cessará toda a função neuromuscular esquelética sem induzir inconsciência.
O monitoramento da frequência cardíaca deve estar presente quando agentes de reversão são administrados, devido ao risco de bradiarritmia.
Recomendações Avançadas:
Quantificação objetiva da relação Train-of-Four (TOF) (T4:T1) ou da relação Double Burst Suppression (DBS) (DBS2:DBS1), que permite a detecção de BNM residual.

Monitoramento no Período de Recuperação Imediata
Este período, que abrange as primeiras 3 horas após a cessação da anestesia, é o de maior risco de morbidade e mortalidade para animais de companhia. O objetivo é garantir a progressão normal do estado anestesiado para a manutenção independente da homeostase.
Recomendações Mínimas:
Observação visual contínua do paciente até que ele possa manter sua própria estabilidade fisiológica e esteja pronto para alta.
O anestesista ou o pessoal de recuperação designado, deve garantir a segurança do paciente através do monitoramento contínuo das variáveis fisiológicas e da comunicação com a equipe.
Oxigenação deve ser avaliada regularmente (cor das membranas mucosas, esforços ventilatórios, uso de oxímetro de pulso).
Circulação deve ser avaliada regularmente (frequência cardíaca, ritmo e, em pacientes instáveis, medições contínuas da PA).
Ventilação deve ser avaliada regularmente (excursão torácica e ausculta torácica).
O monitoramento da temperatura continua.
A avaliação da dor deve ser realizada utilizando um instrumento de pontuação da dor para dor pós-operatória aguda (por exemplo, a Escala de Expressões Faciais Felinas, Escala Composta de Dor de Glasgow).
A documentação deve ser fornecida utilizando um registro escrito ou eletrônico do evento de recuperação pós-anestésica, incluindo medicamentos administrados, valores monitorados e notas de intervenção.
A alta do paciente só deve ocorrer quando o paciente estiver normotérmico, mentalmente orientado e deambulando (a menos que a doença ou intervenção cirúrgica o impeça), livre de náuseas e dor.
Recomendações Avançadas:
As recomendações avançadas de monitoramento descritas nas seções anteriores devem ser aplicadas continuamente ou em intervalos regulares até que os parâmetros vitais do paciente retornem ao normal e sejam considerados estáveis.
Monitoramento Durante a Sedação
A sedação é um contínuo dinâmico de depressão do sistema nervoso central, variando de leve a profunda. O monitoramento adequado garante oxigenação e estabilidade hemodinâmica.
Considerações Gerais: Para sedação moderada a profunda, é necessário monitoramento cardiopulmonar, colocação de cateter intravenoso, equipamento de intubação endotraqueal e oxigênio suplementar disponíveis. Medicamentos de emergência e agentes de reversão devem ser calculados e imediatamente disponíveis (tabela 3).
Sedação Leve: O paciente responde facilmente a estímulos.
Recomendações: Palpação de frequência, ritmo e qualidade do pulso; observação da cor da membrana mucosa e tempo de preenchimento capilar; observação da frequência e padrão respiratório; ausculta de sons cardíacos e respiratórios.
Sedação Moderada: O paciente permanece responsivo a estímulos auditivos e táteis leves.
Recomendações: Oxigênio suplementar; todo o monitoramento para sedação leve; monitoramento da temperatura; oximetria de pulso; e outros equipamentos de monitoramento (PA e ECG), quando indicado pelo estado do paciente.
Sedação Profunda: O paciente não é facilmente despertado, pode responder a estímulos repetidos ou dolorosos.
Recomendações: Oxigênio suplementar; todo o monitoramento para sedação moderada; considerar monitoramento de ECG, PA não invasiva e capnografia; intubação deve ser realizada se o paciente não estiver mantendo as vias aéreas ou não estiver ventilando adequadamente.

Equipe e Registro de Informações
O objetivo é garantir a segurança do paciente e manter um registro de administração de medicamentos, parâmetros fisiológicos e intervenções prescritas.
Recomendações Mínimas:
A equipe de anestesia pode incluir diversos profissionais.
Um veterinário licenciado ou técnico veterinário credenciado (o anestesista) deve permanecer sempre com o paciente anestesiado, sendo responsável pela preparação, equipamentos, administração de medicamentos e monitoramento dos parâmetros vitais.
O anestesista deve utilizar uma lista de verificação padronizada para o equipamento antes do início do evento anestésico.
Doses de medicamentos de emergência e agentes de reversão devem ser calculadas e imediatamente disponíveis.
O anestesista deve realizar a avaliação do histórico do paciente, revisar a medicação atual e realizar um exame físico antes da administração dos medicamentos anestésicos.
Um protocolo anestésico individual deve ser criado para cada paciente e aprovado por um veterinário licenciado.
Registro: O anestesista deve criar e manter um registro escrito ou eletrônico do evento anestésico perianestésico (incluindo a recuperação), documentando medicamentos administrados, valores fisiológicos monitorados e notas de intervenção. Frequência cardíaca, PA arterial, saturação de oxigênio arterial e CO2 expiratório devem ser registrados a cada 5 minutos, e todas as outras variáveis fisiológicas a cada 15 minutos.
Monitoramento do paciente usando avaliação prática e dispositivos eletrônicos ou multiparamétricos.
Comunicação direta e frequente do estado do paciente entre o anestesista e a equipe veterinária (incluindo o cirurgião).
Recomendações Avançadas:
Um anestesiologista veterinário certificado deve liderar a equipe de anestesia sempre que possível.
Este artigo é uma fonte de informação extremamente valiosa e detalhada para a prática da anestesia e sedação em pequenos animais, oferecendo um guia claro para profissionais de diversas especialidades na área veterinária. Ele reflete o compromisso com a segurança do paciente através de práticas de monitoramento rigorosas e baseadas tanto em evidências quanto em consenso de especialistas.
Link para o artigo: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1467298725000716




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