Intoxicação por cannabis (maconha)
- jiulisalles

- 6 de set. de 2022
- 4 min de leitura
Cannabis (maconha) refere-se às partes secas da planta Cannabis que tem sido usada há décadas como fitoterapia e para produtos como cordas, tecidos e papel. Hoje, a cannabis é usada principalmente para fins medicinais ou recreativos, podendo ser fumada, inalada através de vaporizadores ou ingerida através de alimentos/bebidas.
A cannabis contém mais de 100 compostos químicos diferentes chamados canabinóides, como THC e CDB. O tetrahidrocanabinol (THC) é o canabinóide que tem os efeitos mais psicoativos e é o composto responsável por alguns usos medicinais da cannabis. Outros compostos, como o canabidiol (CBD), têm se mostrado promissor para uso medicinal por não apresentam efeitos psicoativos.
Como acontece com qualquer outro medicamento, o aumento da acessibilidade à droga levou a um aumento na exposição acidental em animais de estimação.
Como cães e gatos se intoxicam?
Cães e gatos podem se intoxicar por várias maneiras, a mais comumente por ingestão (por exemplo, em assados, doces, barras de chocolate e batatas fritas contendo cannabis) ou ingerindo cannabis diretamente. Animais também podem ser expostos ao fumo passivo.
A maioria das exposições é acidental, porém, cães e gatos têm muitos receptores canabinóides em seus cérebros, bastando uma pequena quantidade para causar toxicidade.
Independentemente do método de exposição, informações precisas e completas são imprescindíveis para tratar o paciente com sucesso. Por exemplo, a ingestão de um 'brownie de maconha' precisa de um tratamento diferente da inalação porque comer o brownie requer tratamento para toxicidade de cannabis e ao chocolate, enquanto a inalação pode exigir tratamento adicional para irritação respiratória.
Como a cannabis afeta cães e gatos?
A droga interage e altera os mensageiros químicos do cérebro, como norepinefrina, dopamina, serotonina e acetilcolina.
O THC é muito lipossolúvel, o que significa que é facilmente armazenado no tecido adiposo do fígado, cérebro e rins antes de ser eliminado do corpo. O THC é metabolizado no fígado e a maioria (65-90%) é excretada nas fezes, enquanto uma pequena porcentagem (10-35%) é eliminada pelos rins. A droga tem que ser metabolizada e excretada para que os efeitos desapareçam.
Quão tóxica é a cannabis?
A cannabis é considerada como tendo uma alta margem de segurança para as pessoas; no entanto, nem todas as pessoas, e certamente nem todos os animais de estimação, seguem um único padrão de intoxicação. Uma pequena quantidade pode afetar um animal de estimação mais do que outro, portanto, não há nível oficial de exposição seguro. Diferenças de idade, estado de saúde e tamanho corporal são alguns dos fatores que podem levar a diferenças de toxicidade.
Felizmente, a intoxicação por cannabis raramente é fatal. O cigarro de maconha médio contém cerca de 150 mg de THC. A dose oral mínima letal de THC em animais de estimação é bastante alta; no entanto, foram observadas mortes após a ingestão de alimentos contendo cannabis altamente concentrada, como o THC.
Quais são os sinais clínicos de intoxicação por cannabis?
Muitos dos sinais de intoxicação são neurológicos e podem ficar hiperativos ou sonolentos, desorientados e/ou vocalizar. Suas pupilas podem dilatar, dando-lhes uma aparência de olhos arregalados, e podem babar excessivamente ou vomitar. Eles também podem desenvolver incontinência urinária (ou seja, perda de urina). Em casos graves, podem ocorrer tremores, convulsões e coma.
Os sinais físicos incluem frequência cardíaca lenta ou rápida, pressão arterial alterada e frequência respiratória lenta. Letargia e aumento ou diminuição da temperatura corporal também podem ser observados. Felizmente, esses efeitos colaterais geralmente são de curta duração, mas ainda podem ser perigosos.
Como a intoxicação é diagnosticada?
O diagnóstico é baseado em uma história precisa e sinais clínicos. Embora existam testes para determinar o nível de THC na urina, os resultados demoram, tornando-os impraticáveis.
O diagnóstico é feito muito mais rapidamente e o tratamento iniciado, quando os donos responsáveis fornecem informações precisas sobre a exposição do animal.
Como é o tratamento?
Quando uma toxina entra no corpo, muitas vezes a primeira abordagem é retirá-la o mais rápido possível. Se a toxicidade for descoberta logo após a ingestão, seu veterinário pode induzir o vômito para evitar uma maior absorção da toxina, porém, a cannabis tem um efeito antiemético que pode inibir o vômito, nem sempre sendo efetiva a abordagem e isso não garante que algo seja absorvido. Em casos de risco de vida, o estômago pode ser esvaziado por lavagem gástrica.
Carvão ativado pode ser administrado a cada seis a oito horas para neutralizar a toxina e enemas também são usados para reduzir a absorção de toxinas do trato gastrointestinal.
A segunda abordagem envolve cuidados de suporte até que os efeitos da droga desapareçam:
Medicamentos e cuidados de suporte para regular a frequência cardíaca, respiração e temperatura corporal do animal deverão ser usados, se necessário. Como o animal pode estar letárgico, sem vontade de comer ou beber, os fluidos intravenosos podem ajudar a prevenir a desidratação, manter a pressão arterial e a função dos órgãos. Medicamentos para diminuir a ansiedade podem minimizar a agitação.
Tratamentos gastrointestinais podem ser necessários para náuseas ou vômitos. E, para evitar auto trauma, quando o animal está desorientado e incoordenado, o confinamento em um espaço seguro e confortável é indicado. O ruído deve ser reduzido ao mínimo para diminuir a estimulação sensorial.
Conclusão
Quando se trata de uso de cannabis e animais, a recomendação é semelhante ao de outras drogas: tenha cuidado redobrado. Mantenha todas as formas de cannabis, médicas ou recreativas, fora do alcance do animal de estimação. Considere o armazenamento em armários altos ou em gavetas trancadas quando não estiver em uso. Mantenha os animais em uma sala separada e bem ventilada, longe do fumo passivo. Lembre-se de que os animais têm um bom olfato e serão tentados a comer doces, batatas fritas, chocolates e cannabis diretamente, se disponíveis.
Se você notar um comportamento suspeito em seu gato ou cachorro, e a exposição à cannabis for uma possibilidade, leve o animal ao hospital veterinário mais próximo para tratamento rapidamente.
Se a cannabis for ingerida juntamente com outras substâncias tóxicas como, xilitol, chocolate, passas ou alimentos que contenham muita gordura, cuidados de suporte e/ou tratamentos adicionais podem ser necessários para tratar condições associadas.





Comentários